quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Pérolas da Função Pública - Parte I

Sendo a Função Pública deste país uma verdadeira ostra cheia de "pérolas", cada uma mais reluzente que a outra, resolvi dedicar-lhe uma pequena homenagem e criar um tópico periódico inteiramente destinado à partilha de episódios hilariantes com ela relacionados.

Há algum tempo, tive de entregar a minha folha de pedido de férias para este ano. Lá escrevi os vários períodos que queria, a Directora do Serviço assinou, e o papelinho lá foi para a Serviço de Pessoal. Um mês depois, recebo um recado para contactar urgentemente o Serviço de Pessoal devido a um problema qualquer com o meu vencimento. Apesar de ter mais que fazer, lá consegui arranjar um tempinho dentro do horário de funcionamento deles (sim... eles têm aqueles horários das 9 às 11h e das 15:30 às 16:30). Quando lá cheguei, a sra que me atendeu, quando soube quem eu era, começou-se a rir... foi buscar um papel, e ainda com um risinho estúpido disse "Agora já não se volta a esquecer!". Então o que foi? É que no tal papelinho do pedido de férias havia um campo a dizer "a exercer funções" que eu deixei em branco. Ora, depois de ter escrito a minha identificação, nº mecanográfico, categoria profissional, etc e tal, realmente não percebi o que aquilo queria dizer. Seria para escrever "a exercer funções de partos, toques vaginais e afins"? Não... afinal era para escrever o nome do meu serviço.

O engraçado desta história é o seguinte: o papel foi assinado pela directora do meu serviço, com o carimbo do meu serviço, e os próprios funcionários do serviço de pessoal não tiveram dificuldade em telefonar para o meu serviço para me chamar. Mas não era suficiente. Eu tinha de deixar o meu trabalho e ir pessoalmente escrever o nome do serviço naquele espaço em branco. Bem, pelo menos tiveram consciência da atitude imbecil que tomaram, já que para me obrigarem a ir lá usaram um isco falso (sim, porque basta o uso dos termos "problema no vencimento" e "serviço de pessoal" na mesma frase, para qualquer um ficar de cabelos em pé, dada a extrema competência e eficácia com que são resolvidos os assuntos nesse local)...

2 comentários:

Vasco Ribeiro disse...

Isso sim é função pública. Mas olha que aonde trabalho tenho que colar telexs e ir entregar, feito estafeta, ao 6º andar. Ainda bem que é o 6º andar, podia ser no Marquês de Pombal. Para que os senhores do 6º piso possam agir em conformidade. Mesmo com Telexs, mail, telemovel, telefone, computadores, ainda se fazem as coisas com colagens e caminhadas. Surreal, irreal, social, cultural a minha companhia.

Patrícia disse...

Vera, Vasco, não stressem. Nem vale a pena. (Sim, Vasco concordo que o teu caso é de uma imbecilidade que só não é considerada doença terminal porque o estado é um gajo muito fixe...)

Qto ao Recursos Humanos.... já é normal. Nunca conheci uns que realmente funcionassem. lol

beijinhos
pat