
- Dá para confirmar se é uma menina?
- Então mas... na outra ecografia o médico não lhe disse que era?
- Sim mas... toda a gente diz que a minha mulher tem cara de quem tem um menino...
Ecografia para quê? Basta perguntar às vizinhas!
Um espaço para pôr um dedinho maroto em vários assuntos ou simplesmente para apontá-lo a muita "gentinha" que por aí anda...
Na semana passada, através da greve dos enfermeiros, descobri que estou a ser escandalosamente roubada! Ora se a minha primeira remuneração já devia ser aquela, como é que depois de 6 anos a trabalhar estou a ganhar metade daquilo? Vou já fazer queixa à minha entidade patronal, à Ordem, aos sindicatos, à Câmara Municipal, à vizinha do lado, aos meus gatos e à sra da mercearia, porque isto não pode ser! Vou levar o panfleto e vão ter de me dar sérias explicações!
Obrigada pela informação valiosa e fidedigna, e por a terem distribuido na forma de panfletos para que todos nós possamos reclamar os nossos direitos por esse país fora! Vai ser a revolução!
Hoje finalmente comecei! :D
Menos tempo livre... mas... quem corre por gosto...
- Então... Por favor, dispa da cintura para baixo e deite na marquesa.
- ... É para tirar as calças?
- Pois ...
...
- ... Tiro as cuecas?...
As velhas questões:
1 - Será que "da cintura para baixo" quer dizer "tirar o chapéu"?
2 - Será que é preciso tirar as cuecas para ser observada numa consulta de ginecologia? Não me digam que os médicos ainda não desenvolveram a capacidade de ver através da roupa!
3 - Será que se eu entrar em negação e fingir que na realidade queria era uma consulta de ortopedia, me consigo escapar?
- Então? O que se passa?
- Vim porque estou a perder sangue.
- A perder sangue?
- Fiz um teste de gravidez que deu positivo, e uma amiga disse-me para tomar uns comprimidos...
(...)
- Sim, de facto está a perder algum sangue.
- Será que já saiu tudo?
- Vamos fazer uma ecografia...
Um feto. Quase 10 semanas. Coração a bater. Movimentos corporais, indiferente e ignorando o que estava (ou iria depois) acontecer.
Uma sensação muito estranha...
Há 3 semanas começou a técnica do "dedo de ponto" no meu hospital.
Gastaram uma pipa de massa para instalar uns aparelhos que lêem impressões digitais e câmaras de filmar para o tecto (não fosse alguém mais chateado partir um desses aparelhómetros sem que ninguém visse...).
É engraçado como conseguiram a proeza de arranjar dinheiro para isso. É que para comprar pensos, compressas, material operatório e tudo o que é necessário para assistir um doente, normalmente não há "papel". Chegam ao cúmulo de no bloco operatório fazerem cara feia se queremos usar uma máscara com viseira ou uma bata para mais um cirurgião, ou mais uma linha de sutura. É que essas coisas são caras! Até as compressas agora (curisamente desde há um mês...) são de pior qualidade... Nem autoculante para pensos chega a haver na enfermaria...
Agora todas as manhãs é o mesmo ritual: 5 minutos na fila para "pôr o dedo" (sim, porque às vezes, para cada pessoa da fila, é necessário umas 5 tentativas até que aquilo reconheça o dedinho...). Por enquanto ainda é a fase experimental, mas para o mês que vem deixa de existir o livro de ponto (aquela coisa da idade da pedra em que é necessário uma caneta para assinar). Vamos ver o que vai acontecer às pessoas cuja impressão digital não é reconhecida em nenhum dedo (sim, há casos desses) e aos directores de serviço que não vão fazer mais nada senão assinar papeis de justificação para esses casos de falha, esquecimento ou falta por motivo de folga.
Por outro lado até vai ser bom, se de facto aplicarem este sistema com todo o rigor que fizeram questão de mostrar no regulamento interno. É da maneira que eu, e praticamente toda a gente do meu serviço, vamos começar a ir para casa mais cedo. Depois não venham dizer que ainda há doentes para ver na enfermaria ou na consulta. O horário acabou. Temos de ir "pôr o dedo". Temos pena. Se queriam castigar aqueles poucos que realmente se baldam ao serviço e entram e saem mais cedo do que deviam, esquecem-se que esses são a minoria, e que a boa vontade daqueles que se fartam de fazer horas extraordinárias (não pagas) também se esgota.
Enfim. Assim vai a saúde em Portugal...
Na sequência do post “Só em Portugal”, aqui vão mais algumas pérolas.
Saiu hoje a chave definitiva do exame. Das 100 perguntas, 9 tinham 2 respostas certas, e 6 foram anuladas.
Será que o juri (17 pessoas) responsável pela elaboração do exame nem sequer se deu ao trabalho de ver se as perguntas escolhidas (de entre uma bateria de várias perguntas já feitas) estavam bem formuladas? Ora, num exame que decide o nosso futuro, e em que temos 1 minuto e meio para responder a cada pergunta (cada uma com 5 alíneas), parece-me inadmissível o tempo perdido com as 15 perguntas mal formuladas. Mas também há perguntas anuladas não sei porque motivo, e há uma que deviam alterar a correcção (tem 2 respostas certas, escarrapachadas no livro de texto) e não lhe mexeram... Muito estranho... Será que só atenderam às reclamações de "algumas pessoas"?
Ainda mais estranho é o facto do Ministério da Saúde se continuar a superar a cada dia que passa. Depois de não ter publicado as vagas antes da realização do exame (que por sí só já é ilegal), ainda não as publicou, e melhor, “o mapa ainda está em discussão”. Isto quer dizer, que as vagas só serão publicadas depois de já se saber as classificações dos candidatos... Hummm... caso para dizer “aqui há gato...”
O meu 1º “toque rectal” é feito (com o polegar, que é mais grosso) ao maravilhoso Ministério da Saúde (MS) desta República das Bananas (vulgo, Portugal).
Actualmente, os médicos quando acabam o curso, escolhem (segundo a média de curso) um hospital para fazer o Ano comum (estágio de 12 meses onde trabalham em diferentes especialidades) e fazem um exame, que lhes permite escolher (segundo a nota do exame) a especialidade a ser feita após o Ano comum. Só quem passa por isso é que compreende realmente a situação, mas para resumir, imaginem o pior exame da vossa vida. Agora multipliquem por 9 biliões de vezes e terão uma ideia aproximada do que é estudar para esse exame...de manhã à noite, sem intervalo para café, durante meses! Depois, são centenas de candidatos e acabamos por ficar numa coisa que não gostamos. Sim, é melhor que ir para o desemprego, mas não nos podemos esquecer que alguém que seria um excelente cardiologista, poderá ser um péssimo clínico geral.
Muito se falou dos 883 médicos que não podiam iniciar o seu trabalho a 2 de Janeiro devido a um erro informático que segundo Correia de Campos “é um fenómeno natural”(!). Ora, as pessoas não sabem da missa a metade.
Para qualquer cidadão, é obrigatório o cumprimento de prazos para a entrega de documentos, para a inscrição em concursos, etc. Mas para o MS deve haver na legislação uma alínea qualquer que o obriga a NÃO cumprir prazos. Senão vejamos. A Secretaria Geral (SG) do MS já tinha as listas dos candidatos desde Novembro e, devido ao tal erro informático no novo programa que estavam a usar (caso para dizer “não sabe, não mexe”), só a 10 de Janeiro é que publicaram a lista correctamente (uma coisa que se fazia em Excel num dia!). E o mais engraçado foi o Sr Ministro publicar uma circular cuja tradução dizia “Agora desenrasquem-se. Já têm a lista, vão falar com o director do vosso hospital e decidam quando é que começam”. Esta atitude muito inteligente de desresponsabilização pela situação só faz com que cada pessoa comece num dia diferente, haja desfazamento dos estágios, e uma grande confusão em todo o país. Mas dessa já se safou...
Houve também um concurso, não falado na comunicação social, para aqueles que querem mudar de especialidade, ou que, já tendo feito o ano comum, não escolheram nenhuma especialidade num exame prévio. E aqui é a verdadeira twilight zone:
● A abertura do concurso foi publicada em Diário da República, revogada, e novamente publicada...2 semanas após o prazo de inscrição ter terminado!
● Nesse aviso de abertura deviam constar as vagas (muitos só concorriam se abrisse vaga de uma determinada especialidade, caso contrário não iam perder tempo a estudar...). Nasce aqui o conceito de "concurso de emprego surpresa". Já se passou 1 mês e meio depois do exame, e vagas nem vê-las.
● Pior, no 1º aviso diziam que abriam 265 vagas. Depois, corrigiram, permitindo a inscrição de pessoas que ainda estivessem a fazer o ano comum e dizendo que o número de vagas seria de acordo com o número de candidatos. Concorreram 625 pessoas, e agora (por telefone) informaram que só abrem 196 vagas. Parece-me bastante lógico, não?
● Na incrição foi obrigatório (apesar de haver legislação em contrário) entregar documentos dos quais estavamos dispensados. Um deles era para provar que falavamos português (!!) e o pior é que a SG já o tinha, mas mesmo assim tivemos de escrever uma carta ao Secretário Geral a pedir que o enviassem pelo correio para nossa casa, para depois o entregarmos lá novamente... (não, não é uma anedota).
● A lista de candidatos devia ter a informação de admissão, exclusão, ou admissão condicional (por falta de documentos), sendo discriminado para cada candidato qual(is) documento(s) estava(m) em falta. Mas não. Foi tudo corrido com uma admissão condicional, muitos (aqueles que entregaram tudo) sem saber porquê.
E depois desta palhaçada, alguém foi repreendido? A resposta da Provedoria da Justiça foi que “não estaria em condições de intervenção de sentido útil” e que ainda não decorreu um prazo razoável (!) para a pronúncia do Ministro da Saúde sobre a matéria. Bem, os funcionários da SG, com toda a sua incompetência e falta de educação (bem confirmada de cada vez que temos de recorrer a eles para qualquer informação), continuam lá (não sei bem a fazer o quê, talvez a trabalhar no único programa informático que devem saber utilizar: o Microsoft Solitaire). O Secretário Geral, já não o é. Foi promovido a Vice-presidente!!! (não estou a brincar!). E o Ministro, bem, deve estar a estudar novos adjectivos que possa chamar aos médicos, além de “jovens irreverentes”.