domingo, 31 de maio de 2009

Quanto mais me bates...

Acabei de ver uma reportagem sobre a violência no namoro, e é mais uma daquelas coisas que quem está de fora não consegue entender. Como é que é possível existirem pessoas obcecadas e possessivas ao ponto de destruirem por completo a vida de alguém que "supostamente" amam. E pior. Como é que é possível que alguém se deixe submeter a tais tratos. Pessoas que acreditam que "ciúme" é sinónimo de "amor". Pessoas que confundem "doença psiquiátrica" com "insegurança" e por isso a desvalorizam. Pessoas que desculpabilizam tudo porque acham que a culpa afinal é delas e por isso merecem ser castigadas. Pessoas que simplesmente negam as evidências.

Para quem se deixa envolver nesse ciclo vicioso, e mesmo depois de perceber que é uma viagem só de ida em direcção ao abismo, torna-se difícil conseguir sair dele. E muitas vezes, quando saem, já é tarde demais. As sequelas na vida pessoal, social e familiar podem ser demasiado graves. Já para não falar da dificuldade que muitas vezes têm em conseguir um afastamento por parte da outra pessoa, que, mantendo o seu delírio obsessivo, não permite que a outra seja feliz longe dela.

E quem pensa que nestes casos o agressor é sempre o homem, engana-se. Cada vez mais as mulheres tomam essa posição, geralmente servindo-se da violência psicológica (que é tão má ou pior que a física). Conheci de perto 3 casos destes, e em todos eles as consequências foram semelhantes e devastadoras. Uma vida destruída, necessitando de muito tempo para se conseguir sequer pensar em reconstrui-la, e mais tempo ainda para o conseguir fazer.

Espero que cada vez mais as pessoas ganhem coragem para denunciar e sair destas situações de domínio/submissão. É que, acima de tudo, contra factos não há argumentos, e agressão, seja ela de que tipo for, não é, definitivamente, sinónimo de amor.

6 comentários:

Patrícia disse...

Olá olá
Assino em baixo! Não percebo, faz-me imensa confusão e pergunto-me muitas vezes como se pode ajudar alguém que sofre de violência doméstica.. chego à conclusão que não se pode, porque o grande drama é que essas pessoas não querem ser ajudadas. Conheço pelo menos 1 caso e fico sempre chocada!
bjs
Pat

james disse...

A Patrícia tem razão quando diz que "essas pessoas não querem ser ajudadas".

Conheço alguns casos, que terminaram, e um que se mantém... e neste é ela que lhe faz literalmente "a vida negra". Já se separaram, mas voltaram. Cada vez que o vejo (porque até somos amigos), vejo-o desgastado, sem ânimo... mas a verdade é que, para ele, "quanto mais me bates, mais gosto de ti".

Vera disse...

Sim, essas pessoas não querem ser ajudadas, simplesmente porque acham que é normal o que lhes estão a fazer. E mesmo que momentaneamente até consigam pensar com lucidez, o desejo de que a ilusão que criaram seja realidade, é tão grande, que rapidamente se esquecem do que passaram nos 5 minutos anteriores. E obviamente que o lado agressor, aproveitando-se dessa fraqueza, consegue jogar de maneira a criar uma envolvência tal, que até é capaz de fazer com a outra pessoa acredite que o céu é verde com bolinhas cor de rosa. É triste ver alguém caminhar para a auto-destruição. Mas só as pessoas fracas de espírito (ou com fetiches masoquistas...lol) é que caem nessa.

birmanês disse...

só para relembrar que se esta tornando tempo de postalizares mais qualquer coizinha... assim como quem naquela da singela e humilde magnificencia da simplicidade se digna desta forma a sossegar a aguda, impetuosa e ardente sensação de curiosodade daqueles que por aqui vao passando na incontestavel esperança de verem a sua sede saciada...
tudo isto para dizer...
ja escrevias qq coisinha !!

António disse...

E eu q ando atrasado a ver os posts da jovem! E eis q dou de caras com um assunto tão serio! Mas quem vai no convento é que sabe o que se passa la dentro! Muitas vezes n se trata apenas de uma dependencia sentimental mas tambem económica e com filhos a mistura. E sem duvida que a violencia não é só fisica ... geralmente a "vitima" é espezinhada psicologicamente e afectivamente, é atingida na sua autoestima! E sim ... é dificil ajudar até porque teem tendencia a isolar-se, e o agressor muitas vezes veda o assesso a contactos sociais. Felizmente não conheço nenhum caso a ainda bem porque confesso que "fervo em pouca agua" ao ver estas situações! Parebens pelo post ... afinal isto não serve apenas para blabla divertido!

Vera disse...

Brigada... de vez em quando até digo umas coisinhas sérias ;)

P.S: Não, não te estou a perseguir... foi pura coincidência de horário... mais uma vez! :P