domingo, 9 de janeiro de 2011

1º Amor

Ontem, no maravilhoso mundo do Facebook, em que há sempre um amigo que conhece um amigo do amigo, fui dar de caras com o meu primeiro Amor, o que não deixa de ser uma coincidência engraçada visto que já tinha pensado muitas vezes em escrever este post (a última vez foi mesmo na semana passada), só não sabia como começar.

E para quem não acredita no amor à primeira vista, e muito menos no amor em tenra idade, isto aconteceu mesmo. Gostei dele no momento em que o vi, ainda na escola primária, e guardo para sempre essa imagem. Estava ele à porta do edifício, com o seu "kispo" azul, com o qual iria mais tarde tirar a fotografia do 5º ano. Era um ano mais velho, e não me lembro se o voltei a ver até um ano depois, já na C+S, em que, por ele ter chumbado, ficou na minha turma durante dois anos. Acabou por ser o rapaz que se foi juntando ao meu grupinho de amigas, e por isso partilhámos muitos e bons momentos juntos, naquele que seria, sem dúvida, o melhor ano da minha adolescência. Recordo com saudade vários episódios, vários cenários, memórias e imagens tão reais que duvido que algum dia esqueça. Fui mesmo feliz. Não, nunca aconteceu nada entre nós. Foi uma espécie de amor platónico e secreto, em que, já em turmas diferentes, os únicos momentos em que eu tentava vê-lo, ou passar perto, acabavam sempre por ser boicotados, involuntariamente, pelas minhas amigas. Ainda assim, continuei a gostar dele e a quase ter um enfarte de cada vez que o via, já no secundário (o que era raro pois andávamos em escolas diferentes, mas muitas vezes passava na minha rua para ir a casa de um amigo). Tudo a partir daí foi desinteressante. Foi mesmo preciso vários anos para que me voltasse a apaixonar (excluindo, obviamente, vários "fraquinhos" passageiros e inconsequentes).

Confesso que na altura o meu coração andou, de tempos a tempos, dividido com outro rapaz da turma, por quem todas as miúdas (incluindo eu) babavam por ser o mais giro. Curiosamente, já nos tempos da faculdade reencontrei esse rapazito e os anos não foram simpáticos com ele: barrigudo e careca já há uns bons anos! Já o André, embora mais gordo, continua igual, com a graça daqueles enormes olhos castanhos. Se pensar bem, acho que foram mesmo esses olhos que me levaram a gostar dele. Claro que depois com a convivência, fiquei com a ideia de que era uma boa pessoa, mas pouco fiquei a saber sobre os seus interesses (que naquelas idades também ainda não estão bem estabelecidos), e portanto, pensando bem, este amor era uma completa parvoíce.

Isto tudo podia ter servido para aprender com os erros... mas é apenas mais uma prova de que as pessoas não mudam. É que no meio disto tudo, duvido mesmo que algum dia ele tenha desconfiado que eu gostava dele... ou até desconfiou, mas de certeza que rapidamente lhe tirei essa dúvida. É que, infelizmente, nunca fui de mostrar que gosto de alguém se não tiver, pelo menos, uma grande desconfiança (tipo... 99,9%) de que o sentimento é mútuo. Isso é mau. Mas o pior é que consigo obter precisamente o efeito contrário. Chego mesmo a ser arrogante e acabar por afastar essa pessoa. E, claro, foi o que acabou por acontecer... (vá... riam-se... a última palavra que lhe disse foi... "Borrego!!")

Tudo isto para dizer que, uma pessoa que teve um lugar e uma importância excepcional na minha vida, nem sonha que os teve, da mesma forma que outras que passaram e passam por mim, nunca o saberão. Tudo porque é dificil dizer apenas "gosto de ti", com todas as letras, sem subterfúgios ou jogos do gato e do rato. Perde-se tanto tempo com isso... perde-se tanta coisa...

7 comentários:

Patrícia disse...

O primeiro amor marca sempre. Seja lá em que idade for. Ainda bem que não te desiludiste com este "encontro" via facebook. Há coisas que ficam melhor no passado e na (doce) memória apenas mas há outras que valem a pena reviver. Nem que seja apenas no facebook. Na realidade é apenas uma questão de sorte...

sofia disse...

O meu primeiro amor tinha cabelos loiros encaracolados e ofereceu-me uma caixa de Ferrero Rocher andávamos nós na primária... Eu fiquei tão aterrorizada que fugi dele (literalmente, a correr, pelo pátio fora) e não devo ter conseguido olhar para ele durante dias e dias depois disso. O desgraçado claro que ficou convencido que eu o odiava (e que era parvinha sendo que nesta opinião em particular ele estava correctíssimo). Mais tarde na primária houve também um menino que me ofereceu como prenda de galanteio uma cassete do Roberto Leal, mas desse eu fugi com pleno direito e já revelando uma grande maturidade musical.
A verdade é que anos depois o André (sim, também se chamava André lol) é meio parvito e nem com uma tonelada de Ferrero Rocher ia longe. Mas ficou a recordação dessa primeira paixoneta ;)

As relações são tão complicadas: quando dizer que se gosta e quando guardar para nós o que sentimos? quando esperar e quando avançar? quando arriscar e quando desconfiar?

Eu tenho um péssimo sentido de oportunidade quando estou apaixonada acho que no fundo, precisamos todos de um bocado de sorte e de algum "jogo de cintura" :p

Vera disse...

Pat, há coisas que realmente devem ficar no passado, evitando que as nossas doces recordações e as ideias que temos das coisas se desmoronem perante uma realidade totalmente diferente. E só por isso... não somos amigos no FB! lol!

Sofia: A correr dessa maneira, passaste ao lado de uma grande carreira no atletismo! Em relação ao miúdo da cassete... bem... espero que ao menos lhe tenha servido de lição!! (pode ser que agora já ofereça cd's da Ágata...). E sim, cada vez tenho mais a certeza de que "sorte" é a palavra chave para tudo na vida!

Ursinho de peluche disse...

Muito bonito Vera. É importante guardar esses pequenos grandes momentos.
Um beijinho.

Silverdrop disse...

Olá Vera =) desculpa invadir o blog, mas é impossivel ler este post e nao comentar.

Fizeste-me lembrar de muita muita coisa. acho que todos nós tivemos uma grande paixoneta durante os tempos da primária, alguem que nos marcou e que , como tu bem disseste, alguém que hoje anda por aí e que nem faz a mais palida ideia do quao "important" foi para nos. E quem sabe nós também não fomos a tal pessoa para alguém.

(eu sei que fui , e diga-se de passagem...fui uma tonta. é que como nao queria nada com ele, e como gostava dele como amigo, tratei de tentar afasta-lo de mim ,tentei fazer com que nao gostasse de mim. resultado...perdi um amigo muito proximo. que tonta...)

outra coisa que dizes e bem. É dificil dizer gosto de ti, principalmente se uma pessoa não souber o que está na mente e no coração da outra pessoa.

bjinhos e tudo a correr bem por aí =)

Vera disse...

Olá Silverdrop :)

Pois, eu também passei por essa experiência de agir que nem uma idiota para afastar alguém.... lol

Obrigada pelo comentário e estás à vontade para voltar :)

Alexis disse...

Adorei :)

Realmente a pessoas na vida que nos fazem a vida mais fácil ou nos deram muitas alegrias sem ter a minima ideia que assim o fizeram.
Talvez nós já tenhamos feito alguém feliz sem saber-mos :)
bjs