quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Velha e acabada

Basta deixar de andar de carro, deixar o nosso mundo, a nossa concha (quase) intocável, para voltar a ter contacto com pessoas que normalmente no dia a dia não teria.

Hoje senti-me velha. Estive rodeada de adolescentes. Parece que ainda foi ontem que passei por "lá". Eu também fui assim? Será que também tinha aquele ar de miudinha? Será que também fazia aquelas figuras tristes? (sim, disso tenho a certeza... lembro-me de umas quantas, só assim de surra... :P).

É ridículo como nessa idade as preocupações são centradas em situações de vida ou morte, tipo, as borbulhas, a roupa de marca, o fazer "estrilho" para ser "cool". Os problemas existenciais de integração... o ser aceite no "grupo"... as saídas à noite... os copos... os cigarros... os amores platónicos...

Agora que olho para trás, reparo que, apesar de não ter sido um período agradável, consegui atravessa-lo sem grandes cedências. Mantive-me fiel às minhas convicções, sempre na minha onda (como ainda o faço), apesar de que teria sido bem mais fácil (e talvez mais feliz) se não o tivesse feito. O risco de se deixar influenciar é muito grande nessa fase da vida. É cómodo ser uma "maria vai com as outras" (e muita gente continua a sê-lo na vida adulta). Nesse sentido estive bem. Mas perdi outras coisas...

É uma fase em que parece que o mundo vai acabar por qualquer coisa de mal que nos acontece. Felizmente, já nessa altura tive a inteligência suficiente para perceber que a vida continua. Basta olhar para o lado e ver que as pessoas mais velhas estão lá... portanto, sobreviver é possível... apesar de que os problemas só tendem a ficar mais graves com o tempo, mas também a nossa capacidade de "encaixe" é maior.

Hoje olho para trás e dá-me vontade de rir. Se fosse hoje... ai ai... As coisas que ficaram por dizer e por fazer (por inexperiência, medo e crenças em contos de fadas... pura estupidez!). A ingenuidade... os sonhos cor de rosa... É tudo vivido com muita intensidade. É o "para sempre" e o "nunca mais". Mas com a idade percebe-se que a vida é bem mais complicada... e os finais felizes ("para sempre") são raros nos dias que correm.

Mas há recordações que vão mesmo ficar "para sempre". Há situações que "nunca mais" viverei e pessoas que "nunca mais" vou ver (felizmente para muitas, infelizmente para algumas). Há imagens da minha memória que me fazem sorrir e que me deixam triste por não voltarem mais... Se fosse hoje... ai se fosse hoje... Acho que essa é a grande dádiva da adolescência: aquilo que nunca nos chegou a dar.

1 comentário:

Patrícia disse...

Adolescência... foi mesmo uma outra era... lol
divertida, por sinal. Quase sempre do contra. Ou seja, nunca me deixei influenciar. Ou poucas vezes. Em coisas pequenas.
Mas ando a sentir o mesmo que tu. Na faculdade onde tenho as aulas do curso é época de praxes.
E aquele monte de gaiatos irritam-me. logo eu que curti tanto as praxes. Mas agora, só me apetece, dar um par de estalos a cada um.... os com traje tinham direito a 1 extra.... sinceramente não me lembro de alguma vez ter sido tão parvinha, tão futil, tão....
as situações que tenho presenciado têm-me deixado triste.
E acho que ser adolescente já não tem a mesma magia... e muito menos a mesma inocência. Já não tem graça crescer.
beijinhos