terça-feira, 29 de julho de 2008

"A sombra do vento"

Já tanta gente me tinha falado maravilhas deste livro, que tive de o ler. E hoje dei a "notícia" a uma dessas pessoas: Não gostei.

Para quem não leu "Os Maias" por não ter sobrevivido à estucha do Ramalhete, então este é um livro a evitar. Por acaso não me incluo nesse grupo, uma vez que, sempre na esperança de que viesse uma boa história depois do tédio daquela descrição infindável (1/5 do livro...), acabei por não me desiludir. Em relação ao "A sombra do vento", o livro até poderia ser bom (ou menos mau), se se limitasse ao 1/5 do livro que de facto tem história. Neste caso, a esperança de que ainda ia acontecer algo surpreendente que o tornasse "espectacular", foi completamente por água abaixo. A história, de certo modo, lembrou-me a d'Os Maias (e muitas outras histórias do género), e talvez por isso a tenha achado demasiado previsível. O enredo até prometia, mas acabou por não trazer nada de novo. Há o rapazito ingénuo, a mulher fatal, o homem amargurado, a mulher frágil, o amigo verdadeiro, o monstro, o amor impossível e o engodo de um pseudo-mistério. Tudo muito visto... pouco original... e daí a minha desilusão (era justo alguma compensação depois de tanta "palha"!). Enfim. É daqueles que se incluem no grupo "muita parra e pouca uva". Demasiados rodeios e pouca objectividade (o que tipicamente acontece quando se faz um livro de 507 páginas com uma história que tem pouco sumo para deitar quando espremida). De certeza que os livros do Julián Carax deviam ser melhores...

Não sei como é que o Sr. Joschka Fisher o leu "num dia e meio, de uma assentada"... Boriiiiing!

4 comentários:

Anónimo disse...

Não estariam as expectativas demasiadamente altas? Senti o mesmo amargo de boca quando li - Shalimar o Palhaço :) Não que seja terrivelmente mau, mas ficou algo aquém daquelas que eram as minhas expectativas. Não só por o autor ser o mesmo de versículos satânicos, mas também por comentários de pessoas amigas.... Teremos dado a oportunidade, de o autor nos surpreender?
Alexandre

Vera disse...

Pois, acho que as expectativas estavam muito altas. Ou então sou eu que já não me surpreendo com nada... (só com coisas tipo "Lost"...lol). De qualquer modo a história até prometia, mas não foi bem aproveitada e acabei por ter uma certa sensação de déjà vu (talvez por já conhecer histórias semelhantes noutras obras). Vamos lá ver se escolho melhor a minha próxima leitura..

Patrícia disse...

Verinha, tu não gostaste da "Sombra do vento"?
olha, eu amei esse livro,
Alexandre, não gostaste do "Shalimar"? não amei, mas gostei bastante....
A sombra do vento encantou-me deste o inicio. o próprio conceito de cemitério dos livros esquecidos (ou perdidos), é fantástico para mim, que amo livros.

Mas nem todos podem gostar dos mesmos livros...
beijinhos e boas leituras
pat

Vera disse...

Pois... não gostei... Acho que devo ser a única pessoa que não gostou, mas pronto. O conceito do cemitério dos livros estava giro, de facto. Mas ficou por aí. Tal como todos os outros "conceitos" giros do livro. Não se desenvolveu aquilo que tinha realmente "sumo". Daí não ser surpreendente e daí eu não ter gostado. Mas ainda bem que 298579438729875 outras pessoas gostaram, senão coitado do autor... ainda acabava como o Julián... lol