Ontem, no maravilhoso mundo do Facebook, em que há sempre um amigo que conhece um amigo do amigo, fui dar de caras com o meu primeiro Amor, o que não deixa de ser uma coincidência engraçada visto que já tinha pensado muitas vezes em escrever este post (a última vez foi mesmo na semana passada), só não sabia como começar.
E para quem não acredita no amor à primeira vista, e muito menos no amor em tenra idade, isto aconteceu mesmo. Gostei dele no momento em que o vi, ainda na escola primária, e guardo para sempre essa imagem. Estava ele à porta do edifício, com o seu "kispo" azul, com o qual iria mais tarde tirar a fotografia do 5º ano. Era um ano mais velho, e não me lembro se o voltei a ver até um ano depois, já na C+S, em que, por ele ter chumbado, ficou na minha turma durante dois anos. Acabou por ser o rapaz que se foi juntando ao meu grupinho de amigas, e por isso partilhámos muitos e bons momentos juntos, naquele que seria, sem dúvida, o melhor ano da minha adolescência. Recordo com saudade vários episódios, vários cenários, memórias e imagens tão reais que duvido que algum dia esqueça. Fui mesmo feliz. Não, nunca aconteceu nada entre nós. Foi uma espécie de amor platónico e secreto, em que, já em turmas diferentes, os únicos momentos em que eu tentava vê-lo, ou passar perto, acabavam sempre por ser boicotados, involuntariamente, pelas minhas amigas. Ainda assim, continuei a gostar dele e a quase ter um enfarte de cada vez que o via, já no secundário (o que era raro pois andávamos em escolas diferentes, mas muitas vezes passava na minha rua para ir a casa de um amigo). Tudo a partir daí foi desinteressante. Foi mesmo preciso vários anos para que me voltasse a apaixonar (excluindo, obviamente, vários "fraquinhos" passageiros e inconsequentes).
Confesso que na altura o meu coração andou, de tempos a tempos, dividido com outro rapaz da turma, por quem todas as miúdas (incluindo eu) babavam por ser o mais giro. Curiosamente, já nos tempos da faculdade reencontrei esse rapazito e os anos não foram simpáticos com ele: barrigudo e careca já há uns bons anos! Já o André, embora mais gordo, continua igual, com a graça daqueles enormes olhos castanhos. Se pensar bem, acho que foram mesmo esses olhos que me levaram a gostar dele. Claro que depois com a convivência, fiquei com a ideia de que era uma boa pessoa, mas pouco fiquei a saber sobre os seus interesses (que naquelas idades também ainda não estão bem estabelecidos), e portanto, pensando bem, este amor era uma completa parvoíce.
Isto tudo podia ter servido para aprender com os erros... mas é apenas mais uma prova de que as pessoas não mudam. É que no meio disto tudo, duvido mesmo que algum dia ele tenha desconfiado que eu gostava dele... ou até desconfiou, mas de certeza que rapidamente lhe tirei essa dúvida. É que, infelizmente, nunca fui de mostrar que gosto de alguém se não tiver, pelo menos, uma grande desconfiança (tipo... 99,9%) de que o sentimento é mútuo. Isso é mau. Mas o pior é que consigo obter precisamente o efeito contrário. Chego mesmo a ser arrogante e acabar por afastar essa pessoa. E, claro, foi o que acabou por acontecer... (vá... riam-se... a última palavra que lhe disse foi... "Borrego!!")
Tudo isto para dizer que, uma pessoa que teve um lugar e uma importância excepcional na minha vida, nem sonha que os teve, da mesma forma que outras que passaram e passam por mim, nunca o saberão. Tudo porque é dificil dizer apenas "gosto de ti", com todas as letras, sem subterfúgios ou jogos do gato e do rato. Perde-se tanto tempo com isso... perde-se tanta coisa...
